terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Doce deletério.


Eu odeio frases repetidas.
Acho falta de criatividade e humor. Entretanto tive preguiça de elaborar uma ou sequer procurar no Google. Peguei esta do Rodrigo Amarante ex guitarrista do Los Hermanos por ser uma que ficou marcada pelo seu difícil entendimento (cofesso que naum imaginava que deletério fosse uma palavra do vocabulário português) e por se encaixar como uma luva nessa minha postagem.

Preguiça.

Há tempos eu acreditava draconicamente que nossa população era vitíma da mosca Tsé-tsé. Mas como hoje a internet nos deixa burros, tive a facilidade de entender através da Wikipédia, que ela naum viajaria do Senegal, atravessaria o Atlântico como Vasco da Gama tarado por índias, para usufruir do doce território brasileiro, já que o Carnaval nunca mais teve homenagens a transpotadores da doença do sono desde 92 com a Mangueira "Me leva que eu vou, sonho meu...".
Então é óbvio: narcolepsia.
Brasileiro é ótimo para auto-diagnóstico. Eu ainda naum entendo como o Brasil não é a maior potência do mundo, dentro de apenas um brasileiro existe um pouco de: médico, professor, jogador de futebol, economista, psicólogo, jornalista, publicitário, jogador de futebol, dentista, enfermeiro padrão (isso padrão), político, administrador de empresas, zootecnólogo, ator,vendedor, jogador de futebol e político junto, ia esquecendo ótimo dançarino.
Acredito que a preguiça está diretamente ligada a esse processo de personalização tupiniquim. Já que é a preguiça de estudar que formam vários profissionais em um só. Sobra preguiça pro "achismo" e que tudo será resolvido no final. Falta personalidade do adolescente para ser um cdf ao invés de um mano, ao mesmo tempo que sobra descaso dos pais, melhor dizendo, preguiça de dar a devida atenção.
Um amigo meu me disse uma vez: "Eu não trabalho, mas quando alguém fala pra mim que eu devia fazer que nem tal pessoa que trabalha 10 horas na lavoura pra ganhar 8 reais por dia, eu digo que prefiro ser vagabundo. Até porque eu naum tenho terceiro grau a toa, e se o cara tem que se submeter à ganhar 8 reais para morrer na roça, ele devia ter estudado".
Tirando a falta de oportunidade realmente presente nesse país, certa parte da afirmação acima está correta. Aliás, várias pessoas humildes conseguem grandes feitos através do estudo, mas a política da preguiça no presente, fatalmente acarretará em uma consequência totalmente reversa no futuro.
Preguiça, um doce deletério.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

3 meses e uma semana


De todas as coisas que poderiam me ocorrer na vida, a que eu realmente estava mais despreparado era pra notícia da paternidade.
Me precoupei com o subprime americano, com as quedas das bolsas de valores, com a desvalorização do dólar e do petróleo, com a eleição do Barack Obama...
Mas toda essa onda de informação que constantemente infla minha mente, virou pó quando pela primeira vez eu vi meu filho com 3 meses e uma semana no ultrasom.
Não sei o sexo, o nome ainda é indefinido, a minha vida está indefinida. Mas eu tive como uma revelação divina, a idéia de que é possível amar incondicionalmente algo. Sendo homem, mulher, feio, bonito, que seja o que for, é a primeira vez na minha vida que eu amo sem nem mesmo saber nada.
E não pense que isso me acalma.
A coisa mais impressionante é a perfeição da vida. Acho que só mesmo quem participa diretamente desse processo tem o privilégio de se sentir algo maior do que realmente acreditava que era.
Os agnósticos que me perdoem, mas Deus existe. Não sei sua forma. Mas hoje seu eu tinha alguma dúvida, ela se dissipou.
A partir de agora vou informando dados da gravidez e compartilhando nesse meu blog todos os acontecimentos dessa nova vida que está por vir.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ensaios















Quando eu comecei a ler "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago, no início achei aquilo meio viagem. Mas depois de uma conturbada e profunda vivência nesta última campanha política, entendi o bom português ganhador do Nobel.
O livro retrata uma epidemia de cegueira "branca" que ataca uma população. A grande sacada da história é a retratação do sentimento humano quando o homo sapiens se vê desprovido de regras e principalmente, perde o pudor pelas coisas que antes poderiam ser vistas como: nudez, necessidades básicas, egoísmo entre tantos. O livro retrata o verdadeiro homem, em estado bruto, guardado dentro de nós pelas barreiras técnicas da ética e sociabilização (nos EUA uma entidade dos direitos civis para cegos prometeu um protesto em massa nos cinemas contra o filme do brasileiro Fernando Meirelles por retratar os cegos como animais, eles não entenderam que a "cegueira" que o filme retrata não é fisíca, mas sim sentimental, será que fizeram esse livro em braile?)
"Que merda isso tem a ver com política?". Tudo.
Minha cidade Carlópolis ( qualquer coisa manda no mapa do Google), possui cerca de 14 mil habitantes. Um colégio eleitoral com aproximadamente 10 mil eleitores. Teve nesse período democrático mais uma experiência que poderia servir de embasamento para a cura do mal de Alzheimer, com resultados muito mais instantâneos que as células tronco-embrionárias.
O vencedor já havia sido prefeito em 92. Deixou a prefeitura com 3 meses de salários atrasados e com uma divída homérica a ser quitada (não havia a Lei de Prestação de Contas na época). Ao ser eleito novamente em 2004 construiu um mandato de pão e circo.
Pão e circo foi o nome dado para a política de Roma que, em substancial crescimento agregou vários problemas urbanos. Para amenizar esses problemas eles colocavam uns escravos se matando no Coliseu e distribuíam comida para a população carente esquecer dos problemas.
Qual o segredo do esquecimento então? Dinheiro. Isso, essa cédula la em cima que poucos de nós conhecemos, foi o maior diferencial nesta campanha, e não adianta Lavínia Vlasak vir todo o dia na televisão com a mão no barrigão pedir pra não vender o voto. O cara que precisa comprar gás, a dona que faz três semanas que ta a base de ovo, o jovem que conseguiu agora beber uma de boa no boteco, não vão lembrar de você Lavínia, eles vão esquecer os 4 anos que se passaram de mínguas.
O problema que até o tráfico se mantém no poder arrumando os problemas de curto prazo para uma comunidade.
Mas a democracia exige isso, e ela ainda é o maior e melhor meio de escolher nossos governantes.
E é atacando o estado bruto da "cegueira" que o dinheiro ganha uma eleição.
Ensaio sobre a cegueira.
Ensaio sobre a ganância.
Ensaio sobre a política.
Ensaio sobre a humanidade.
E enquanto isso eu voi ensaiando a viver no pão e circo mais uma vez.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Tentativa frustrada

Ontem no Pânico na TV, eu lá me deliciando com a samambaia pelada, e vendo outras coisas escrotas me deparei com essa ação do BIS.
E eu cheguei a seguinte conclusão: é escrota demais.
O vídeo foi colocado como conteúdo do programa na forma de tentar deixar mais cool o processo de comunicação. A idéia da saia da mulher já tinha sido horrível (eu não devia fazer isso, mas vou deixar aqui o site da campanha que simula um blog da desinger da roupa www.saiprala.com.br, pra quem ainda não viu), mas quando o repórter me fala "... ela criou uma roupa inusitada para se proteger das pessoas que roubavam seu chocalate favorito" ja tinha fudido tudo,o repórter pergunta porque ela tinha criado essa roupa, a moça começa a dar a entrevista (isso tudo como se fosse uma reportagem mesmo) ela me solta: "Eu não aguentava mais, as pessoas simplesmente pegavam todo o meu BIS..." pronto, foi o auge da bizarrice.
A ação foi criada pela Ogilvy, mas eu recentemente começo a perceber que os maiores culpados da propaganda brasileira estar uma bosta hoje em dia são os profissinais de marketing. Quem em sã consciência aprova uma sandice dessas? Ou pior: deixa de aprovar coisas mais ousadas e inusitadas. E ponto negativo pra agência também em tentar fazer um viral e me veicular na TV. Viral que é bom, é bom na internet, depois na TV.

Eu não caguei mamão e você?

Hoje ao me dedicar aos afazeres do corpo humano tive uma leve surpresa. O cheiro desagradável e degradante da bosta, estava cheirando mamão. Eu estranhei aquilo, pois na minha dieta o mamão não está incluso já faz muitas semanas, mas mesmo assim aquele cheiro de mamão penetrava através de meu olfato, mas graças a visão perfeita que Deus me deu eu conseguia ver que aquilo era merda.
Criei uma metáfora com os cinco sentidos do povo brasileiro baseado nessa minha experiência necessária.
Em época de política das duas uma: ou o povo fica com os sentidos a flor da pele, ou, gera uma sinestesia deturpadora sem precedentes.
Em suma, primeiramente apenas o que se quer. Pois é estranho numa democracia onde todas as pessoas tem o mesmo direito de julgar e condenar na hora do voto, um país ser tão corrupto, já que mensalistas e até mesmo assasinos ainda penduram no poder.
As promessas estão aí, correndo soltas que nem animais desprovidos de instinto (nota-se que injustamente às vezes uma vaca, uma piranha ou uma galinha são condenadas por seus nomes estarem relacionados com pessoas de pouco pudor e vergonha na cara, eu acho que seria insuportável para um faisão ser chamado de deputado federal). Cuidado então ao ouvir promessas das pessoas que já pregaram como Nostradamus.
Onde há fumaça, há fogo. Onde há bandido, há dinheiro. E dinheiro nesse sistema captalista é vendaval na mão de político. Quanto mais garoupas nadam no tato do eleitor, mais malandros mordem pelas beiradas nossa fauna monetária. Tive uma idéia: quando for escolher um candidato, vá até uma obra que ele diz que construiu, toque nela, tire uma foto com o seu celular, guarde para posteridade e releve o quanto aquela obra foi importante, se foi vote, se não vote em outro, mas pelo amor de Deus não vote em branco, essa é a deixa que todos querem.
Pra finalizar, eu gostaria de dizer que, o mamão é uma fruta nutritiva e muito saborosa. Não fique tentado com qualquer cheiro de mamão que você possa sentir por ai. Use com atenção seu olfato, ele tem a função de te proteger de coisas estragadas. "Mas eu ainda tenho dúvidas", então meu amigo use o paladar, ele pode te dar o critério necessário mas vou logo alertando, nada impede que você possa lamber um pouco de bosta.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

As legítimas

Eu mero mortal não ousaria em dizer que há uma melhor agência, um melhor publicitário, um melhor case, entretanto como notável palpiteiro que sou, no meu primeiro post sobre publicidade gostaria de enfatizar o trabalho da agência que eu mais admiro no Brasil. A AlmapBBDO ganhadora de inúmeros prêmios internacionais, inclusive o de agência do ano em Cannes, tráz na bagagem histórica da comunicação do país, muitos trabalhos criativos e interessantes. Claro que Washingtons, Nizzans, Fabios, Eduardos, fizeram deste país uma potência criativa no mundo publicitário, mas Marcello Serpa foi aquele que motivou minha carreira acadêmica.
Escolhi as havaianas para destacar o trabalho da Almapp, não somente pelas mulheres bonitas que apresentaram ao longo dos anos (juro), mas também pra começar a analisar como um pedaço de borracha hoje custa os olhos da cara, e virou utensílio de moda mundo afora. Tá também tem Juliana Paes, Fernanda Lima, Carolina Dickmann entre tantas que influenciaram nesse processo de seleção.

Das antigas:




Das últimas:


Californication


Olha, se ouvesse uma bíblia, um alcorão, torá, ou algo parecido, das coisas que um homem tem vontade de fazer e de dizer, Californication seria a versão em vídeo. David Duchovny (Arquivo-X) arrebenta no papel de um escritor em crise inspiradora e familiar. Vive regado a bebida, por vezes drogas e mulher pra todos os lados.
Indispensável para qualquer homem, e para algumas mulheres de mal, Californication por trás das coisas banais da vida, mostra como os sentimentos humanos são valorosos, mútaveis e muitas vezes egoístas, além é claro de muita pornografia soft que todo homem de bem merece.

Coringa

"Aquilo que não nos mata, nos deixa mais estranhos". Sábio Coringa, o personagem mais anárquico do cinema até agora. Podemos incluir em outras categorias alguns anárquicos de renome: Lula nos discursos, Sérgio Malandro na TV, Rebeca Gusmão na natação, Bush na política internacional, Requião com o Paraná, os grampos na Abin, Casagrande no futebol, Pelé nos comentários de futebol, Fabio Santos, Kleber, Carlos Alberto e Adriano na penitenciária, Maomé na religião, e por aí vai.
Anarquia não necessariamente é um mal, ou é um mal necessário, já que nos prendemos as vertentes do cotidiano sem perceber. Um pouco mais de anarquia na sua rotina, no seu trabalho, na sua família, na sua vida, enfim, pode fazer as coisas mudarem. Pode-se assim ver de outros ângulos o que muitas vezes não está no nosso campo de visão.
Por favor nada de psicopatas, nem de discursos abobados, mas, mais bagunça pra sair da rotina.
Puta merda eu morro de medo desse Coringa